Shen Dingzhu, a mais bela mulher da capital, para limpar a injustiça sofrida por sua família, passou a vida inteira como substituta de uma amada inalcançável, bajulando e agradando por anos a fio, até acabar envenenada e morrendo de forma miserável. Renascida, ela volta justamente ao dia em que sua família cai em desgraça, prestes a ser jogada no quartel como prostituta. Desta vez, ela escolhe novamente se apoiar em Xiao Langyan, sabendo que, no futuro, ele se tornará o senhor supremo dos nove estados, expandirá fronteiras e conquistará terras. Ela quer usar a força dele para salvar os pais e os parentes que foram exilados para o deserto do norte. Mas, nesta vida, ela é diferente da anterior. Ela fala com ele de interesses, de condições, de vida e morte — e, acima de tudo, não fala de amor. Chega até a ajudá-lo a encobrir a mulher que ele ama. Faz tudo por ele, menos amá-lo. Mais tarde, quando Xiao Langyan sobe ao trono, enlouquecido de sede de sangue, ele ergue a cabeça da chamada amada dele e pergunta a ela: “Minha consorte, afinal, qual é o homem que você nunca conseguiu esquecer?”
A chuva desabava e o vento uivava, golpeando a macieira do pátio e fazendo cair, uma a uma, as pétalas coradas, que giravam até se dissolver nas poças d’água.
No quarto imperial do palácio, iluminado por lamparinas, ouviam-se soluços sufocados de uma mulher, misturados ao resfolegar rouco de um homem.
À porta, os eunucos e a guarda imperial mantinham os olhos baixos e o rosto impassível, como se nada ouvissem.
A consorte nobre Shen era jovem e bela, o rosto delicado como flor tenra; temia-se que estivesse sendo tratada com rudeza demais.
Mas aquilo não era novidade. Já estavam acostumados.
Meia hora depois, sob as cortinas do leito imperial, ergueu-se uma voz a pedir clemência.
— Dói...
— Hoje estás mais mimada do que o costume? — perguntou Xiao Langyan com um sorriso, sem soltá-la, antes, ao contrário, estreitá-la ainda mais nos braços.
De ombros largos e cintura estreita, sem roupas sobre o corpo, Xiao Langyan era esguio e forte, os contornos do tronco bem desenhados à luz das velas.
Sob as sobrancelhas em espada, seus olhos escuros e profundos, com um leve fulgor de riso no fundo, pareciam ao mesmo tempo distantes e maliciosos.
Naquele momento, brincava com um fio do cabelo de Shen Dingzhu, com evidente interesse.
Em cada instante de prazer, aqueles cabelos negros se moviam, incômodos e enfeitiçadores ao mesmo tempo.
Shen Dingzhu apertou o brocado da colcha contra o peito. Os ombros alvos estavam cobertos de marcas de beijo; seus olhos, negros como o céu estrelado, fitavam Xiao Langyan com uma doç