Camaradas policiais, se eu dissesse que este é um jogo relaxante e terapêutico, vocês acreditariam?
— Você é um comediante, por que anda sempre com esse semblante tão carregado? Precisa se animar! —
Na cidade de Nova Xangai, na zona exterior, dentro de uma loja de usados chamada “Próxima Vida”, um idoso tentava consolar o único cliente presente.
— Aqui em casa todos gostamos de assistir aos seus programas, somos todos seus fãs. Se não vemos você durante as refeições, a comida até parece sem gosto.
O velho falava sem parar há um bom tempo, até que o jovem encostado no canto da loja finalmente se virou devagar.
Tinha pouco mais de vinte anos, vestia-se de forma desleixada, cabelos bagunçados, não era especialmente bonito, mas carregava um ar de melancolia difícil de descrever.
— O programa em que eu participava já foi cancelado. Fui demitido pela empresa há três dias.
— Não tem problema, você atua tão bem. Se for preciso, podemos procurar trabalho em outros grupos de teatro.
O dono da loja era muito solícito, mas o jovem apenas balançou a cabeça e não quis se estender sobre o assunto.
— Dono, praticamente já joguei todos os jogos usados daqui. Chegou algo novo ultimamente?
— Recebi sim, mas, na sua situação, sugiro que evite jogos muito violentos ou intensos. — O proprietário pegou uma caixa preta muito pesada do fundo do balcão, feita de um material desconhecido. — Já tentou algum desses jogos terapêuticos?
— Jogos terapêuticos?
— São aqueles com gráficos acolhedores, música relaxante, histórias capazes de arrancar um sorriso, que capturam momentos belos do cotidiano e transmitem energia positiva.