No final do período da Nova Dinastia, as reformas de Wang Mang fracassaram e o mundo mergulhou no caos. As bandeiras dos exércitos rebeldes, Vermelho e Verde, foram erguidas alto, enquanto os irmãos Liu Xiu aspiravam restaurar a antiga dinastia Han. Renascendo em uma época como esta, o que fazer? A Nova Casa está decadente; para construir o novo, é preciso destruir o velho. Só resta ao recém-chegado escrever sua própria história com traços grandiosos! PS: Esta é uma narrativa sobre viajantes do tempo que enfrentam os filhos do destino de diferentes mundos.
No quinto ano de Tianfeng da Nova Dinastia (18 d.C.), no outono, oitavo mês, Guanzhong, sede do condado de Liewei, salão principal da escola oficial de Changping.
Embora fosse pleno dia, as velas amarelas de cera sobre os castiçais de bronze estavam acesas, e a chama dançava suavemente no pavio, enquanto finos fios de fumaça azulada se espalhavam pelo aposento.
Nesse instante, os dois oficiais sobre o estrado pareciam ter esquecido os assuntos oficiais do dia. Transformaram a escola numa arena de debate, apontando para a chama, revezando argumentos com entusiasmo.
— Quando há pouco compartilhávamos a carruagem, disseste, Senhor da Montanha, que o espírito reside no corpo como o fogo na vela: a chama arde, mas quando a vela se apaga, o fogo não pode subsistir no vazio.
— Assim é. Quando a vela se consome e resta apenas a cinza, é como o envelhecimento do homem: dentes caem, cabelos embranquecem, músculos se atrofi am. Nessa hora, o espírito não é mais nutrido pelo sangue e, ao fim, quando o corpo sucumbe, o espírito se apaga junto à carne, desaparecendo por completo.
— Mas tenho uma dúvida. Poderias esclarecê-la, Senhor da Montanha?
— Fala, Mestre Bo.
— Quando o óleo da lâmpada se esgota, pode-se reabastecer; quando a vela termina, pode-se acender outra. Se a chama não cessa, o fogo não morre. Então, quando o homem morre, não seria possível transferir o espírito para outro corpo, para que continue a existir?
Diante deles, dez jovens sentavam-se em postura ereta, atônitos. Filosofias profundas sobre corpo e alma, vida e morte