Você jamais imaginaria — uma coleção dos quadrinhos “Os Cavaleiros das Deusas” publicada em 1991 pode ser vendida por mil reais; uma coleção de “Dragon Ball” publicada em 1994 pode alcançar três mil reais; uma edição softcover tripla de 1999 dos romances “O Retorno do Condor Herói” e “O Herói do Arco e Flecha” pode chegar a cinco mil reais; uma raridade literária da nova literatura publicada em 1925, “Poemas de Zhimo”, pode valer quarenta mil reais; a coletânea de novos poemas “Coleção do Chicote” publicada por Liu Bannong em 1926 pode ser vendida por cinquenta mil reais; e o documento vermelho “Seleção de Mao”, publicado pelo jornal do Norte em 1944, pode alcançar impressionantes duzentos e trinta mil reais! Onde encontrar tais livros? Nos depósitos de sucata! Nas bancas de livros usados! Quando você passa por esses lugares, jamais imaginaria que os mais discretos esconderijos são verdadeiros tesouros tentadores! Venha, procure livros antigos comigo e torne-se o cobiçado “magnata dos livros usados” dos dias de hoje! Dentro dos livros há casas de ouro, dentro dos livros há beleza de jade!
No fim de semana, o Templo do Deus da Fortuna, em Cidade do Sul, fervilhava de gente, mais animado do que nunca.
Nesse templo, venerava-se o Santo do Comércio, Fan Li, aquele mesmo lendário senhor que, com a ajuda da bela Xi Shi, derrubou o rei de Wu, tornando-se o famoso Senhor Tao Zhu. Por isso, todo sábado e domingo, o local se transformava num movimentado mercado de antiguidades, reunindo vendedores de objetos antigos e joias em jade.
Com o passar dos anos, o mercado se expandiu consideravelmente, atraindo comerciantes até de províncias vizinhas. Vendia-se de tudo: jade raro, antiguidades, toca-discos antigos, projetores, xícaras e pratos de porcelana, jornais velhos, livros usados — enfim, tudo o que não fosse ilegal podia ser trocado ou vendido, desde que tivesse o selo do tempo.
— Dono, o que é isso aqui? Parece interessante — perguntou um rapaz, agachado diante de uma banca de antiguidades e jade, sorrindo para o vendedor.
O vendedor era magro, de pele escura, feições afiadas e olhos pequenos. Por ter madrugado para garantir um bom lugar, estava encostado num canto do muro do templo, descansando de olhos fechados. Ao ouvir o rapaz, abriu os olhos de imediato e deu de cara com um jovem vestido de forma bastante simples — ou melhor dizendo, bem pobre: camisa branca, jeans desbotado, tênis quase furado mostrando os dedos, e, embora de marca, claramente uma imitação barata.
O vendedor, apelidado de “Rato Li”, era notoriamente interesseiro. Ao ver o jovem, limpo, mas malvestido, logo o subestimou. Então, respondeu com desdém, bocejando e