Naquele dia, uma névoa densa selou tudo ao redor. Naquele dia, ele se tornou o capitão de um navio fantasma. Naquele dia, atravessou a névoa e encarou de frente um mundo completamente subvertido e despedaçado — a antiga ordem não existia mais, fenômenos estranhos e inexplicáveis dominavam os mares infinitos além dos confins da sociedade civilizada, cidades-ilha e frotas que desafiam o oceano eram os últimos faróis da civilização, enquanto as sombras do passado ainda se agitavam nas profundezas abissais, à espreita, prontas para devorar de vez esse mundo à beira da ruína. Contudo, para o novo capitão do Desalento, havia apenas uma questão urgente a considerar — alguém sabe como se pilota um navio?!
O nevoeiro denso e interminável agitava-se do lado de fora da janela, tão espesso que parecia engolir o mundo inteiro, deixando apenas a luz turva do céu atravessar a névoa e penetrar no interior da casa, mantendo o quarto em uma penumbra semi-iluminada.
No apartamento de solteiro, ligeiramente desorganizado, o professor Aurélio estava curvado sobre a mesa, com os objetos empurrados de forma brusca para o lado, enquanto seu semblante exausto se dedicava a escrever com afinco:
“Sétimo dia. Nada mudou. O nevoeiro cobre tudo além da janela, que foi selada por uma força desconhecida... O quarto inteiro parece ter sido fundido em algum espaço anormal...
“Não há contato com o mundo exterior, nem água ou eletricidade, mas a luz permanece acesa e o computador liga—mesmo depois de eu ter retirado o cabo de energia...”
Parecia que um leve rumor de vento vinha da direção da janela. Aurélio, imerso em seu diário, ergueu a cabeça de súbito, um brilho esperançoso em seus olhos cansados, mas logo percebeu ser apenas uma ilusão. Do outro lado da janela, o nevoeiro branco continuava a dominar, um mundo morto e indiferente cercando seu pequeno refúgio.
Seu olhar passou pela janela e encontrou uma chave inglesa e um martelo abandonados—vestígios de suas tentativas de escapar nos últimos dias. Agora, aquelas ferramentas robustas jaziam imóveis, como se zombassem de sua situação precária.
Após alguns segundos, Aurélio tornou a assumir uma expressão serena—uma tranquilidade anormal. Com esse estado de espírito, voltou ao diário:
“Estou preso. Um impa