Desde tempos imemoriais até os dias de hoje, corre entre as pessoas o rumor da existência de um reino espiritual. Sobre esse reino, sábios e eruditos de todas as eras deixaram opiniões variadas. Em antigos poemas, encontra-se o registro: “Desde a dinastia Qi até a Tang, estas montanhas permanecem desoladas, o reino espiritual jaz em silêncio, raramente alguém o visita.” “O reino espiritual é indescritível, obra de fantasmas, difícil de ser alcançado.” Zhang Yuanqing, calouro da Universidade de Xincheng, por uma feliz coincidência, obteve um cartão supremo de acesso vip de um clube — ou melhor, um passe para o reino espiritual.
Cidade de Songhai.
Às sete e meia da manhã, no quarto escuro, sobre a cama macia, Zhang Yuanqing despertou abruptamente, segurando a cabeça e curvando-se como um camarão.
A dor era tão intensa que parecia rasgar-lhe o crânio, como se agulhas de aço estivessem cravadas em seu cérebro, a ponto de fazer o couro cabeludo pulsar. Surgiam alucinações e ruídos confusos, imagens desordenadas dançavam em sua mente, e tudo o que ouvia era uma cacofonia de sons sem sentido.
Zhang Yuanqing sabia que seu velho mal havia retornado.
Tremendo, arrastou-se para fora da cama, abriu a gaveta do criado-mudo, pegou o frasco de remédios com mãos trêmulas, abriu-o apressadamente e engoliu cinco ou seis pequenas pílulas azuis de uma vez.
Depois, deixou-se cair de volta na cama, respirando ofegante, suportando a dor lancinante.
Após alguns segundos, a dor que parecia dilacerar-lhe a alma começou a diminuir, até finalmente desaparecer.
“Ufa...” Zhang Yuanqing soltou um suspiro de alívio, o rosto coberto de suor frio.
Durante o ensino médio, fora acometido por uma doença estranha: seu cérebro revivia, de forma incontrolável, todas as memórias do passado, até mesmo informações irrelevantes já esquecidas; absorvia dados do mundo ao redor, processando-os sem escolha; o domínio mental sobre o corpo atingia níveis inimagináveis.
Felizmente, tal estado nunca durava muito, pois seu organismo logo sucumbia ao desgaste.
Graças a essa peculiaridade, conseguiu entrar brincando na Universidade de Songhai — uma das instituições mais renomadas do país.