Durante a fuga da fome, uma família trocou um saco de grãos por uma menina, e todos pensaram que eles haviam enlouquecido. Contudo, desde que adotaram a pequena Céu Claro, a vida deles pareceu abençoada por uma sorte inexplicável. As aves selvagens vinham em fila à porta, os peixes do rio disputavam para saltar diretamente no balde... Enquanto os filhos das outras famílias estavam magros e pálidos de fome, os irmãos da família Oliveira cresciam cada vez mais fortes e robustos. O irmão mais velho dizia: Céu Claro, vou caçar um coelho para você! O segundo irmão: Céu Claro, o caminho está difícil, vou te carregar nas costas! O terceiro, o quarto e o quinto: Quem ousar fazer mal à nossa irmã Céu Claro, terá que enfrentar nossos punhos primeiro! A família mimava Céu Claro como se ela fosse uma princesa. Mas ao chegarem à capital, um grande personagem apareceu à porta: “Aqui está o tesouro que minha família procurou incansavelmente!” Céu Claro respondeu: “Ninguém precisa brigar; prometo que todos receberão meu carinho igualmente!”
No oitavo ano de Yongjia, uma praga de gafanhotos assolou as terras além das fronteiras, deixando os campos completamente vazios. Após o outono, veio ainda um terremoto, reduzindo muitos vilarejos e cidades a escombros. O povo, faminto e desesperado, lutava para sobreviver ao inverno, fugindo com as famílias na esperança de encontrar um novo caminho.
Ao cair da noite, depois de um dia inteiro de jornada, os viajantes procuravam onde descansar. Dona Lian preparava-se para cozinhar o jantar com sua cunhada quando ouviu, não muito longe, o som de varas de salgueiro batendo e o choro fraco de uma criança.
Seguindo o barulho, viu, como já suspeitava, Dona Shan do mesmo vilarejo batendo na filha, Qingtian.
— Sua pestinha, cada vez mais ousada, já está até roubando comida! O que mais você quer? Vai acabar querendo subir aos céus? — gritava cada vez mais irritada, batendo sem se importar se o corpo franzino da menina aguentaria tal punição.
Qingtian ajoelhada na estrada de terra, sentia as pedras machucarem os joelhos, mas nada era comparável à dor das chicotadas que caíam em suas costas. Estava faminta demais e não resistiu em pegar alguns grãos de milho seco e duro. Nem teve tempo de engolir, pois a mãe logo a flagrou.
— Todos estamos fugindo da fome, quem não passa necessidade? Só você sente fome? O pouco de milho que resta é para meu filho, não para você! Hoje mesmo não te dei raízes para comer? E ainda tem coragem de roubar milho! Acho que você quer morrer mesmo! Que desgraça minha criar uma menina inútil como você! — berrava Dona Shan.
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